30 de ago. de 2008

Danielle na Argentina

Prezados jovens,

a irmã Danielle que está fazendo intercâmbio na Argentina, mandou uma mensagem a todos os jovens. Segue, na íntegra, a sua postagem:

¡Hola! ¡Paz del Señor!

Finalmente, estou escrevendo para dar notícias minhas, a pedido de... bom, algumas pessoas.

Para quem nao sabe, estou em Santa Fe (http://www.santafeciudad.gov.ar/), uma cidade argentina entre os rios Paraná e Salado, e estudando na Universidad Nacional del Litoral (leia-se: costa do rio). Uma narcante característica daqui é que o terreno é totalmente plano e, por isso, as ruas sao muitíssimo longas (atravessam a cidade inteira!), o que facilita a localizaçao. O clima, por enquanto, está ótimo pra mim: um pouco seco, meio friozinho, sol; mas, segundo o pessoal aqui, o verao é insuportavelmente quente e úmido, por causa dos rios que limitam a cidade.

Eu estou morando em uma casa da própria universidade, para alunos estrangeiros. Apesar de antiga, é muito grande e cômoda e abriga quase 40 pessoas. A grande maioria é brasileira, mas também tem gente do Paraguai (vou aprender a fazer tererê!!), Uruguai, Equador, Chile, México, França, Inglaterra, Croácia, Honduras... Entre os brasileiros, tem gente do Sul, de Sao Paulo e de Minas Gerais, só, de várias universidades. Ninguém, exceto eu, é crente, mas tem um grupinho de desviados...

Os argentinos consideram Santa Fe como "ciudad cordial", e ela está fazendo por merecer. De uma forma geral, as pessoas estao nos recebendo muito bem, estao sendo receptivas e compreensivas com o nosso "portunhol". É claro que existem exceçoes, pessoas que se mostram claramente desprezantes à gente (já tenho uma lista de situaçoes que depois eu conto!). Voltando às pessoas simpáticas, percebi que grande parte delas tem amigos ou parentes no Brasil, ou já foi ao Brasil. Algumas a lugares super inesperados. Por exemplo, conheci um cidadao que é fa das praias paulistas!! Em geral, elas gostam bastante do Brasil e dos brasileiros. Uma situaçao interessante para exemplificar: em uma conversa com uma irma da Batista, fui questionada sobre o porquê de vir justamente pra cá. Em um primeiro momento, pensei que se tratava desta cidade (pequena, nao muito conhecida), mas percebi que ela se referia à Argentina! "Sair de um país tao lindo e vir pra cá... As pessoas aqui sao tao, tao... (silêncio)". Entendi nesse silêncio: presunçosas, desdenhosas, antipáticas. Essa irma foi uma vez pra Florianópolis, em lua-de-mel, e morre de vontade de voltar. Outro fato intrigante das pessoas daqui é que todas têm o mesmo corte de cabelo!! Acreditem, as meninas num corte repicado, em "V", os meninos também num meio repicado, nao muito curto... e todos parecem emos!! Terrível...

O que mais estranho aqui é a comida. Até agora nao entendi o que eles comem aqui como refeiçoes. O café-da-manha até que é normal (suco de laranja, café, croissant), mas almoço e janta parecem lanchinhos. Os restaurantes têm como menu principal "milanesa con papas", ou bife à milanesa com batatas fritas. Isso é o almoço. Feijao e arroz branco, nem pensar. A comida é, em geral, barata, como nos self-service onde compro por 15 a 19 pesos o quilo (cerca de 7 a 8 reais), mas nao se compara com a do Brasil. As coisas nacionais aqui sao de uma forma geral baratas, como roupas, sapatos etc., mas as importadas sao caras por causa da desvalorizaçao do peso, e os servíços públicos também. A tarifa dos ônibus custa só 1,50 pesos!! Isso é quase 0,75 centavos de real!!! Taxi aqui também é super barato.

Por aqui nao há Assembléia de Deus, infelizmente. Estou andando de igreja em igreja, pra conhecer, por enquanto. Já fui na Congregaçao Crista (Asamblea Cristiana), na Metodista e na Batista. A Crista tem uns costumes diferentes das daí: tem corais, as mulheres podem tocar instrumento, o ensino é bem valorizado e desenvolvido. Me surpreendi bastante com a qualidade da parte musical: a orquestra tem ótimos músicos, apesar de nao aproveitarem muito isso, e é razoavelmente completa (até com oboé!), os corais, de jovens e adultos que escutei, sao afinadíssimos, e com uma técnica vocal muito boa. Conversando com umas pessoas aqui, descubri que as igrejas nas cidades grandes estao diminuindo, enquanto que as das cidades pequenas aumentando. Isso é bem notável na Metodista em que fui, que só tinha uns 7 adultos, apesar de nao ser nova por aqui. Também percebi que nao há muito Batismo no Espírito Santo. Na única pentecostal do grupo (Congregaçao), o anciao falou do Batismo como uma coisa nova, que Deus estava começando a dar agora. Próximo domingo vou tentar ir a uma Assembléia de Deus de uma cidade próxima daqui (eba!!!) e depois conto como foi, ok?

Agora um toque: visitando as igrejas aqui, percebi a importância da equipe de recepçao na igreja. A primeira vez que fui na Congregaçao, estava super mal (estava longe de vocês!!), e estava quase voltando pra casa, se nao fosse a ótima recepçao que recebi. Apesar de ser já uma senhora, uma irma me apresentou pra todo mundo (inclusive pro anciao), me mostrou a igreja inteira, me falou de alguns trabalhos, até me ofereceu carona pra ir e voltar da igreja! Todos conversavam comigo, super atenciosos... me senti bem! Se nao fosse a "mantilla" (ou véu), acho que ficava por lá mesmo, hehe (brincadeira). O mesmo ocorreu nas outras igrejas. Fui muito bem recebida.

Sobre mim, só tenho que dizer que estou sentindo muita falta do Brasil-sil-sil, e de todo mundo aí. Mas (ainda) nao me arrependi de estar aqui. Está sendo uma ótima experiência, apesar da greve da faculdade. Pois é, greve, acreditem. Mas o tempo está passando muito rápido e, nesse ritmo, estarei de volta em um segundo.

Estou mandando também algumas fotos (desculpem a péssima qualidade). Abraços pra todo mundo e, pra quem quiser me escrever,
peça o meu e-mail ao Cleber (eu, Cleber, não deixei o e-mail da Danielle postado, por motivos de segurança)

¡Hasta pronto!
Dani

PS.: Desculpem a ausência de acentos til. O teclado aqui nao tem mesmo...



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